quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Carta de intenções

Quis escrever esta carta para marcar uma nova realização a respeito de mim. Explico. Sempre fui de correr muito atrás, do faça você mesmo, do faça uma coisa mas faça muito bem feito, do faça várias coisas somente se puder fazê-las bem, do quando faça faça até o fim. Enfim, do faça. Ação. Ainda continuo assim, sabendo da importância do fazer, mas, e aí vem a descoberta, ciente de que sou incapaz de abraçar tudo e dar conta de tudo que gostaria.

E percebi que, hoje, me contento com a vontade. Me contento com a intenção.

Tenho a intenção de estar sempre magra, de fazer exercícios regularmente, de comer coisas saudáveis, de pensar que quero estar bem para cuidar do meu(s) filho(s), de querer estar bonita para meu marido, de estar com as unhas sempre feitas, pra mim.

Tenho a intenção de cuidar do meu lar, de gerenciar com perfeição a empregada, de estar com o supermercado pronto, de ter repensado a decoração da casa pra comportar o bebê de menos de um ano, de chegar em casa a tempo de fazer um jantar especial pro marido (sem estragar as unhas e sem ficar com cheiro de comida).

Tenho a intenção de querer transar todos os dias (ok, não precisa ser todos!), de usar aquela super fantástica lingerie que está nas propagandas, de estar com a depilação sempre em dia, de ter a pele perfumada e pronta pro game, sempre (cansaço jamais!).

Tenho a intenção de ter tempo para conversar com meus amigos, os presentes e os ausentes, de ler os jornais que gosto, de ler (e ver) as revistas de meu interesse, de ver a novela ou algum programa bobo na tv, de terminar os livros que comecei, de começar os álbuns de fotos pra curtir de novo uma viagem, de ler e responder a todos os emails, de escrever cartas (daquelas com selos) para os mais queridos. De ter gás e pique pra esperar o marido chegar em casa pra conversar e colocar os assuntos em dia.

Tenho a intenção de ser a melhor mãe pro meu filho, de ter mais filhos logo (de maneira altruísta), de brincar com a mesma energia, de mostrar o mundo, de ensinar tudo que sei, de disciplinar mesmo quando a paciência já acabou, de jamais precisar ser enérgica, de entender tudo sobre bebês e crianças, de listar tudo que preciso saber do pediatra. Aliás, de não precisar do pediatra.

Tenho a intenção de estar pronta pro trabalho mesmo depois das noites em claro, de ter o mesmo interesse pelo que faço. Hum, pensando bem: tenho a intenção de ter tempo pra aproveitar o dia e sair por aí fotografando, de ficar horas na frente de uma mesa de luz escolhendo o que colocar no meu portfólio, de jogar tudo pro alto e me dedicar ao que chama meu dom. De verdade, tenho a intenção de ser tão boa quanto o Sebastião Salgado, vamos combinar.

Apesar das vontades, não 100% realizadas, sigo feliz dentro do que posso. Satisfeita por ter um plano, bem intencionado.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Dentro de todos nós?

Fico fascinada quando conseguem traduzir um livro em filme. Mais ansiosa ainda quando um livro predileto, 'Where the Wild Things Are', está no forno para este ano. Mais arrepiada quando assisto o trailer no You Tube.

Ontem, a caminho da creche, meu filho se divertiu durante quase uma hora com meu molho de chaves. A cada toque, a cada barulho, a cada nova chave que ele visualizava um grito de excitação. E quando se trata do meu lobinho, o molho de chaves é apenas um dos exemplos que ele descobre com alegria e satisfação. O mundo para as crianças é uma eterna e empolgante cruzada de sonho.

Ao rever o trailer mais uma vez confirmo que deveríamos ser mais como as crianças, deixando que dentro de nós habite a esperança, a aventura, o selvagem. Jamais o pesadelo, jamais o medo.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Celular à flor da pele

Na sexta-feira tive uma enxaqueca como há tempos não tinha. Daquelas de doer o crânio, confundir os sentidos, disparar as lágrimas, dar ânsia de vômito (que de fato aconteceu). Tudo isso acompanhado de perto pelo meu filho de menos de 1 ano, quem hora me olhava assustado hora dava gargalhada de um som menos normal que eu emitia.

Não foi nem de longe o mesmo que passar mal sozinha, quando o que acontece com você diz respeito apenas a você. Meu receio naquela noite foi não dar conta dele quando fosse preciso. Pra completar ele estava com conjuntivite. Eu não podia me dar o luxo de estar mal. Simplesmente tive que ficar boa.

Quando a Hebe completou 80 anos assisti uma entrevista dela na Marilia Gabriela. Em determinado momento a Marilia perguntou pra Hebe, quanto tempo pra chegar alguém caso acontecesse alguma coisa com ela, ou seja, existe alguém com a Hebe em casa sempre? Era o ponto onde a Marilia queria chegar, mas a pergunta foi feita em função de um medo que a entrevistadora revelou a sua terapeuta, o medo de morrer sozinha e de ninguém lhe encontrar. Invertendo o jogo, a entrevistada devolveu a pergunta sem responder: 'Mas por que você se preocupa com isso?'. Na época, não entendi o medo da Marilia Gabriela e achei poderosa a 'resposta' da oitentona Hebe.

Depois da sexta passada, sigo achando a resposta da Hebe poderosa e inspiradora. Mas já entendo a preocupação da Gabi. E carrego meu celular pra todo canto. Quero achar alguém quando precisar, e não ser achada quando a sorte quiser.